Marx, obtusidade e totalitarismo
Eu simplesmente não acredito que o “motor da história” é o conflito entre opressores e oprimidos, ou mesmo entre esquerda e direita. Os representantes dessas dualidades refletem uma realidade mais profunda e integradora, e nesse sentido acredito numa teleologia histórica, numa “mão invisível”, como queria Adam Smith, referindo-se à economia de livre mercado.
Não sou economista, nem sociólogo, mas dividir a humanidade entre esquerda e direita e me incluir em qualquer dos dois grupos é uma idéia que me soa bastante estranha.
Considero o liberalismo uma boa idéia, desde que todos os cidadãos possam ter acesso — garantido por toda a sociedade, não apenas pelo estado — à educação de qualidade (não necessariamente gratuita) e serviços de saúde.
Considero obtusa a polarização do pensamento, e perigosamente totalitária. As utopias igualitárias sempre tendem a reduzir o ser humano a seu menor denominador comum, e como as mentes que o reduzem sempre são as mais obtusas, não importa o hermetismo pseudo-inteligente de seu discurso, o resultado é sempre dos piores.
Some-se isso à tendência dos seres humanos de agirem mais embrutecidamente que de costume quando em grupo — temos aí os exemplos históricos da felizmente extinta URSS, da caduca Cuba, da perigosa recrudescência chavista, da China maoísta que a esquerda celebra e que não passou de um grande assassinato em massa da elite espiritual de um país.
Sinto ferir suscetibilidades, mas desafio qualquer pessoa a me mostrar uma sociedade não-estratificada como as que Marx aponta como começo e fim de sua utopia histórica. Aquilo é apenas pseudo-ciência, ideologia mascarada.
Revolução social pra mim é sinônimo de derramamento de sangue humano, e isso não me soa nada bem. Acredito que — no fim, nossas vontades coletivas dão uma soma maior que cada esforço individual, e o grande “motor da história” está no inconsciente coletivo.
As pessoas são diferentes, e há algo de sintomático nisso: e a doença para a qual este sintoma aponta chama-se humanidade.