Pirataria e Liberdade de Pensamento


Sempre que vejo comerciais anti-pirataria nos DVD’s que alugo, vou até a página do Richard Stallman e releio seu excelente artigo “O Direito de Ler“. Para mim é a máxima expressão da liberdade digital.
Computadores são amplificadores de nossa capacidade de pensar. Em seu início, eles amplificavam apenas a capacidade humana de pensar matematicamente. Com a evoução da tecnologia, pode-se pensar agora em quase qualquer área de conhecimento com o auxílio dessas máquinas geniais.
A internet tem se tornado cada vez mais o repositório de todo o conhecimento humano. É incrível como uma lembrança de algo que você conheceu na infância dá uma infinidade de links no google para avivar sua memória.
Daí não precisamos mais nos esforçar para reproduzir uma música ou um filme que vimos na infância ou na adolescência, e que nos marcaram tanto. Podemos mostrar o nosso pensamento a outras pessoas.
Isso é uma revolução genial. Mas, como em toda revolução há excluídos, nessa não poderia ser diferente. Para pensar dessa forma ampliada, é preciso ter uma boa conta bancária. Despesas com a compra da máquina, com sua manutenção, com o link de internet, e outra$ mais impedem o acesso a qualquer um.
Como se não bastasse, cobra-se pelo que se lê, ouve, e vê na internet. E acusa-se de “pirata”, um nome forte, pesado, pejorativo, às pessoas que democratizam suas lembranças diretamente. Alguém mais não está ganhando com a sua lembrança. Pode parecer que estou suavizando o crime da pirataria. É que não considero crime, e ainda acho que estou à frente do meu tempo. Como Rick Stallman também está.
Cópia não-autorizada é um nome mais literal, e mais suave, para o que se chama de “pirataria”, calculando os “prejuízos” dela em bilhões de dólares. Inacreditável é que empresas que percam tantos dólares com a pirataria, continuem entre as mais rentáveis do planeta, e com um faturamento anual em ascensão.
Mas, quer saber? Por isso sou entusiasta do movimento open-source. Deixe copiar! o importante é que alguém se beneficie do seu pensamento, não que você ganhe dinheiro com ele. Você poderia se perguntar como então vai ganhar seu dinheiro.
Bem, há mil maneiras criativas de fazer isso. Se é um músico, o alto índice de cópias não-autorizadas das suas canções indica que tem muita gente disposta a ouvir o que você canta e/ou compõe. Isso pode levá-lo a ganhar dinheiro com shows. Lançar algo no mercado e ir se balançar esperando a grana chegar simplesmente não funciona mais. Muita gente tem gravadoras de cd/dvd. Muita gente tem internet. O mundo é um gigantesco HD na ponta dos dedos.
Vêm os comerciais e dizem que é ladrão quem copia música. Este é um conceito interessante. Se eu baixo uma música do Ray Charles para ouvi-la e compartilhá-la com meus amigos isso significa que agora a música é minha e não do Ray Charles? Isso é non-sense, mentiras inventadas para manter o status quo.
Este status quo foi que possibilitou que Ray gravasse suas músicas e as distribuísse para o planeta todo? Pode ser. Mas o mundo mudou, e com ele o jeito de fazer negócios. As indústrias de mídia e software terão que se entender com essa reviravolta. Algumas já começaram.
Por esse motivo, apesar de não ser programador, sou vidrado em software livre. A idéia de tirar algo da rede mundial, usá-lo e distribuí-lo me soa revolucionária, magistral. Diminui a exclusão digital, aumentando as pessoas que podem amplificar sua memória e seu pensamento através dessa máquina mágica que é o computador.
Nesse momento, estou experimentando o OpenSuse 10.2, mas adoro ficar mudando de linux de vez em quando, para testar as funcionalidades deste ou daquele. Já fui slacker pelo puro e simples prazer de fazer as coisas na unha, mas hoje não tenho mais tanto tempo para isso, então pego distribuições menos preguiçosas, que fazem mais por mim, ainda que eu não saiba o tempo todo como.
Bem, adoraria tocar sax como armstrong, mas, como não posso, ouço sua música.
E, por favor, não me pergunte onde eu comprei sua coleção completa ;-) .


3 Responses to “Pirataria e Liberdade de Pensamento”

  • NIlze Says:

    Xande, adorei este texto e concordo contigo.

  • Alexandre Costa e Silva Says:

    Mãe:
    Dá uma seguida no link “O Direito de Ler” na postagem original, assim que menciono o artigo. Você vai achar bacana também…

  • Fátima Says:

    Ei, Moris
    Fantástica a sua análise. É isso mesmo. Quem não se adaptar às mudanças vai dançar…
    Sem falar que tu fala cada vez mais bonito. Bjs

Leave a Reply